Andradas, um dos 12 municípios da Região Vulcânica, sai na frente e lança sua rota de turismo rural, que será inaugurada durante 3° Andradas Café Festival, nos próximos dias 1 a 4 de maio. Unindo poder público, iniciativa privada e agentes de turismo experientes, a organização do evento levará os visitantes para conhecer um pouco da zona rural de Andradas, ver como são produzidos os cafés especiais e outros produtos como vinhos, azeites e doces, experimentar a culinária típica, além dos momentos de contemplação da natureza. Representantes da imprensa, convidados pelo evento, percorreram o circuito nos dias 21 e 22. A Folha Agrosul foi um dos veículos de comunicação convidados. Veja um resumo do que os visitantes irão encontrar nesse caminho turístico.
A nossa recepção foi no Reduto Cafeteria, onde experimentamos cafés de produtores premiados e acompanhamos o lançamento do 3° Andradas Café Festival. Dali, fomos conhecer um pouco da culinária com o famoso virado de frango, prato típico do Município. Reconhecido como patrimônio de Andradas, em 2019, acredita-se que tenha tido origem na culinária dos tropeiros que passavam pela região. Pelo menos 15 variações do prato são feitas em Andradas e estão reunidas em uma publicação da Prefeitura. Já teve até concurso municipal para eleger o melhor deles. Venceu a receita de Abigail Ribeiro. Fomos para o Restaurante Taverna, experimentar o virado de frango da Abigail. (Veja a receita e o depoimento de Abigail)
Após comprovar que o virado de frango é realmente saboroso, começamos o tour pela área rural de Andradas. A primeira parada foi na maior vinícola da região sudeste do Brasil, tanto no enoturismo como em produções de uvas finas. Criada em 2012, a Casa Geraldo produz 1 milhão de litros anuais. Seu nome é uma homenagem ao pai de Luiz Carlos, que está na direção da vinícola, com os 3 filhos. Foi o senhor Geraldo que iniciou a produção comercial do vinho ainda nos anos de 1930. Antes disso, o vinho era feito no porão da casa, para o consumo da família ou para ser trocado por alimentos. Quando iniciou a venda, era a granel, os clientes levavam seu garrafão para comprar o vinho. A primeira marca, a Campino, foi criada em 1993 e continua no mercado. (Assista sobre a história da Casa Geraldo)
Após conhecer sobre a história, fomos para uma visita aos parreirais, guiada pelo sommelier Natanael Maicon Fernandes, que explicou sobre as diferentes variedades de uvas com degustação do vinho produzido com cada uma delas.
Com todas as informações recebidas, ao sair o visitante terá uma boa noção de como se desenvolveu a produção de uvas e vinhos na região. O que era impossível antes, produzir um vinho fino, com uma uva plantada aqui, só se tornou possível, em 2012, graças ao método de dupla poda nas lavouras, sistema desenvolvido na Epamig de Caldas e adotado na vinícola. Ao inverter o ciclo da uva, elas se adaptaram melhor ao inverno da região (assista). No maior concurso mundial de vinhos, realizado em Londres, no ano passado, 26 dos 426 rótulos premiados, são da Casa Geraldo. (Veja os vinhos)
Azeite - Nos últimos anos, as oliveiras também vêm ganhando espaço, próximo aos parreirais. E após essa aula de enologia, conhecemos o outro produto da casa, o azeite Casa Geraldo, servido em uma harmonização com frios. Terminamos a visita, encantados com a paisagem do local e a história por trás do sucesso da Casa Geraldo.
Enquanto íamos para o próximo destino, fiquei pensando como a história era interessante, a maneira como o senhor Geraldo saiu de uma produção artesanal e foi ficando conhecido e vendendo cada vez mais vinho! Ele soube aproveitar uma oportunidade que literalmente passou pela sua porta. Separamos essa história para outro momento, leia na Folha Agrosul. Vale a pena conhecer.
Paisagem deslumbrante e um momento único na pedra da Cruz
O roteiro inclui paradas para apreciar a beleza do conjunto de pedras da Serra do Pau D’Alho, Pantano e Elefante e a Pedra da Cruz, onde foi reservado um momento de contemplação do pôr do sol. Com vista para o vale, aproximadamente 1250 metros de altura, terminamos o dia, apreciando o sabor do café preparado por Mariana Nakagawa, contemplando as Serras do Pau d'Alho e do Caracol, um momento único, ouvindo o violão e a voz do cantor Anderson Martins.
Pizza no forno à lenha
Voltando à cidade, a noite foi encerrada com uma rodada de pizza artesanal, feita no forno à lenha e recheios maravilhosos, da Pizzaria Tradicionalle. Representantes da imprensa paulista, que estavam no grupo, disseram que as pizzas não deixavam nada a desejar para pizzas de São Paulo, consideradas as melhores.
Para a noite de descanso, o grupo se dividiu entre dois hotéis, o Hotel Dela In e Hotel Porto das Asas Park Hotel. Ficamos no segundo. Depois de um variado café da manhã, partimos para o segundo dia, para visitar produtores de cafés especiais. A primeira parada foi na sede da Associação dos Produtores do Bairro Gabirobal–Acafeg.
Fomos recebidos pelo presidente Sebastião Benevine e sua filha Aline Beneveni Manzolli, auxiliar administrativa da associação. Fundada em 2007, a associação é formada por um grupo de 35 produtores de agricultura familiar que cultivam café de qualidade certificado pelo Fairtrade, desde 2010. Segundo explicou o presidente, a associação surgiu da necessidade de encontrar um novo mercado para os cafés das famílias, e nessa busca encontraram o Fairtrade, sistema de comércio justo. Hoje, as pequenas propriedades produzem juntas, cerca de 8 mil sacas de café, alguns vendidos para os Estados Unidos, Holanda, França e Inglaterra. Há 3 anos, a Acafeg fechou uma parceria com uma empresa suíça e passou a fornecer café para o Projeto Impact, com a marca Café Royal. O café enviado para a Suíça é do produtor Daniel Henrique Leone, vice-presidente da associação e é o único café Fair Trade do Brasil enviado para o projeto.
Acompanhado dos pais, Sr. Domingo Leone Neto e D. Eleni Cazaroto Leone, Daniel foi nos receber na sede da associação. “Para mim, é uma alegria muito grande poder representar a associação na Suíça. O que vale mesmo é saber que o produto que está aqui dentro é um pouquinho de cada produtor”, diz Daniel, mostrando a embalagem. “A gente comercializa o café cru. E lá eles torram e colocam a marca deles, Café Royal”, explica Aline Benevene Manzoli. A embalagem inclui a fotografia do produtor e as informações de origem. “Sempre trabalhamos em família. E ver o filho se expandindo aí mundo afora, para nós é um motivo de orgulho, de muita alegria. Então, a gente só tem que agradecer a Deus, a família e a associação, que nos ensinou muito”, diz o senhor Leone, orgulhoso pelo filho e por produzirem um café especial. (Assista ao vídeo com depoimento do produtor Daniel e seus pais).
Sítio Santa Luzia, onde é produzido o Café da Tamires
A família de Tamires Ribeiro é uma das 35 associadas da Acafeg. Nascida e criada no Sítio Santa Luzia, ela é a quarta geração da família, que sempre morou naquelas terras. Tamires foi estudar e trabalhar fora, mas durante a pandemia voltou para o sítio e não saiu mais; assumiu a produção de café, com o pai. “Quando voltei, comecei a ver que a gente tinha cafés com potencial. E aí começamos a trabalhar juntos”. Hoje, eles já colocam no mercado os cafés torrados e moídos, embalados com a Café da Tamires.
Desde que Tamires voltou, muita coisa vem mudando nos 11 hectares, localizados no pé da Serra do Bebedouro. Bióloga de formação, o conceito de sustentabilidade sempre esteve presente no seu trabalho e ela levou isso para o sítio. Tamires falou sobre as práticas que vem adotando no manejo, como reflorestamento, proteção das nascentes e córregos e utilização de plantas de cobertura para proteção do solo. O próximo passo é reduzir cada vez mais a aplicação de produtos químicos. O Sítio Santa Luzia foi um dos primeiros a utilizar os bioinsumos, há dois anos, para o controle de pragas e doenças nas lavouras, com o objetivo é oferecer para o consumidor um café ecológico, o mais próximo do orgânico, produzido em um ambiente sustentável. “Estamos buscando a sustentabilidade em todas as áreas, para conseguir viver mais em harmonia”. E é isso que os visitantes do roteiro irão encontrar no Sítio Santa Luzia, além de experimentar os cafés produzidos lá, com todas as suas nuances de sabores. (Assista ao vídeo com o depoimento da produtora Tamires).
Fim do roteiro foi no alto da serra
Para finalizar o roreiro de dois dias, o almoço foi no Restaurante Mirante of Dreams, com uma vista de tirar o fôlego.
E assim terminou nossa experiência na nova rota de turismo em pequeno trecho das terras vulcânicas. Fomos guiados pelos agentes de turismo Rogério (@worldadventuretur) e Cristiano (@desbravar.turismo).
Para registrar todos os momentos, contamos com os fotógrafos Gabriel @gamteixeira e Jonatas. Os cafés que degustamos foram preparados pela experiente Mariana Nakagawa. Tudo assessorado pelo João e pela Camila da Prefeitura de Andradas.
Um final de semana que ficará guardado na memória e no coração, repleto de momentos afetivos. Que venham muitos turistas para sentir a beleza e conhecer a vida das famílias que vivem nas serras de Andradas. É um importante passo para o fortalecimento do turismo na Região Vulcânica.
Agradecimento:
Região Vulcânica
Camila Barbosa - Gerente de Desenvolvimento Econômico e Agrário da Prefeitura de Andradas
João Guilherme - Prefeitura de Andradas
Dalva Sasseron - Engenheira Agrônoma
Para acontecer, a iniciativa teve o apoio de:
@casageraldo
@pizzariatradicionalle
@tavernaandradas
@redutocafeteria
@worldadventuretur
@desbravar.turismo
@miranteofdreans
@vulcanicacoffee
@andradascafefestival
@hoteldelainn
@portodasasasparkhotel
@acafeg.andradas
@cafe_da_tamires
@andersonmartinscantor
@andradascafefestival
@regiaovulcanica